Vale a pena?


Vale a pena?

Nosso corpo evolui a partir do processo de memórias acumulativas física, emocional e psíquica.
A célula que morre passa as informações para as células que são produzidas, assim sendo, nossos padrões e atitudes são constantemente atualizados.
Caso não haja investimento na evolução do ser para reciclar e reprogramar as células, ficamos presos em comportamentos viciados, em medos antigos e nos tornamos lixeira de memórias emocionais, físicas e psíquicas, acumuladas ao longo de nossa vida.
Somos uma lixeira.
Escolhemos por uma sociedade em que a expressão individual é reprimida, contida, moralista e de bom comportamento. Enchemo-nos de credos, crenças e leis.
Entupimo-nos de tantas coisas e estamos a ponto de degradar totalmente o planeta com nossas disputas e competições.
É o que acontece num mundo regido pelo medo.
Não confiamos em nossos instintos.
Não confiamos nas pessoas.
Nossa memória afetiva é cheia de repressões, dores, abandonos, falta de afeto físico, falta de parceria, pouca disponibilidade.
Nossos pais ficam muito mais tempo longe de nós do que perto, e quando estão perto, raramente são pessoas disponíveis emocionalmente, abertas à convivência e aprendizado emocional.
Eles impõem mais do que escutam e nem têm tempo para isso. Nem eles sabem aonde está a emoção deles!
O afeto físico é mínimo e desconcertado, principalmente quando vamos chegando à adolescência.
Somos amedrontados emocionalmente e, na maioria das vezes, ficamos com o pé atrás. São as experiências da vida que vão moldando nossa linguagem emocional, física e psíquica e vamos nos virando do jeito que podemos.
Frequentemente nos metemos num relacionamento por carência e medo de ficar só; temos dificuldade de dizer não, de receber elogios ou, então, somos pretensiosos, arrogantes.

Nosso ego é formado a partir de medos e ameaças e nãos. Somos forjados para o orgulho e a inveja, para a obediência e o conformismo. Somos uma sociedade de egos feridos, não de corações fortes.
Precisamos de regras para regulamentar nossas relações. Levamos muito tempo para descobrirmos quem somos e, muitas vezes, vamos embora dessa vida sem nem chegamos perto do despertar para quem realmente somos.

Somos pessoas bobas, acreditamos em líderes que nos roubam (e os deixamos lá roubando e não fazemos nada); precisamos de bancos para tomar conta de nosso dinheiro; precisamos de sites de relacionamento para encontrar parceiros; precisamos de presentes para agradar outra pessoa; acreditamos precisar de um relacionamento para sermos felizes e depositamos no outro as expectativas de felicidade de nossa vida.
As religiões nos enrolam, os políticos nos enrolam, a elite nos enrola, os meios de comunicação nos enrolam. Nosso vocabulário emocional é tão simplista, básico, primitivo que acreditamos em tudo que se fala e não possuímos maturidade emocional para enxergar por trás das aparências.
O máximo que fazemos é reclamar, reclamar, reclamar. Agir, sair da zona de conforto e atuar com presença e esforço pode ameaçar o pouco que foi conquistado a duras penas.
O medo de perder tudo nos deixa apáticos.
Estamos dentro da Matrix e não queremos sair dela.
É fato que quanto maior a nossa ignorância, maior a inconsciência, mais próximo ao bicho.

Quanto maior o acesso ao saber, maior a possibilidade de acesso às sutilezas do ser, acesso ao poder pessoal.
Privar alguém desse saber significa aprisiona-lo em sua própria ignorância sem que tenha acesso à sua potência.
É crime! Porém, é o que acontece e é legal.
A força de trabalho é manipulada para que sirva e seja utilizada em benefício de outra pessoa, sirva a outros interesses e não à própria existência da pessoa. Nossa existência, desafios e glórias em nada interessam, a não ser a nós mesmos.

E como não adquirimos o hábito de investirmos em nossa própria evolução pessoal, damos quase que toda nossa existência para os outros.
Nossa educação, tanto em casa, quanto na escola, não nos prepara emocionalmente, e isso nem é tocado, é uma espécie de tabu. Somos analfabetos emocionais.
Esse medo do nosso instinto e intuição se dá devido à impossibilidade de se enquadrar a consciência emocional de forma científica, ela não pode ser medida, nem prevista.
Ela é o movimento dos líquidos que acontecem dentro de cada pessoa.
É a individualidade expressa. Isso não pode.
Não acreditamos na inteligência das emoções.
Sendo assim, a individualidade – o caminho do herói em busca de sua liberdade, sua individuação – deve abrir mão para o bem comum e produzir para sua sobrevivência.
Nosso sistema social se empenha em domesticar as emoções, em adestrá-las através dos meios de comunicação. Sem toque, só touch, nas telas. Virtual.
A afetividade é silenciada, tememos os envolvimentos dos líquidos e fluxos incontroláveis, que na maioria das vezes levam tudo a perder (É o que se acredita).
Para nossa infelicidade, somos levados a agir com a cabeça ao invés do ser inteiro, coroado pelo coração. É uma pena tanto desperdício.
É preciso lembrar que nós prestamos conta à vida com a nossa vida, na nossa vida.
Nosso corpo é um totem representativo de todas as nossas escolhas de coragem ou covardia, de enfrentamento ou abandono, de controle ou submissão.
Nosso corpo e o seu bem estar, representam o quanto estamos em harmonia com nossa própria vida.
Acreditar que a espiritualidade exercida através das religiões e crenças pode ascender, elevar, transcender a pessoa sem que ela necessite da harmonia da carne, é acreditar que papai-noel irá depositar um presente ao pé da meia no dia de natal.
Somos mestres em encontrar justificativas para as nossas desarmonias, nossa preguiça, nossa falta de coragem.
Se o seu corpo é mais magro ou mais gordo do que devia; se sua postura é toda desalinhada, tensa e/ou fraca demais e há dores pelo corpo; se você não consegue permanecer de forma natural na postura alinhada e direcionada e sempre precisa de um objeto para se apoiar e não se suporta, não suporta o seu próprio peso; se você perdeu o abdômen e deixou crescer uma barriga; se algum órgão não funciona bem; se a respiração não está naturalmente localizada no baixo ventre e precisa ser feita no alto do peito, perto do pescoço; se há dificuldade em se expressar com clareza o que se sente, leva mal não, feliz essa pessoa não é.
Ela pode ter contentamentos – sente-se contente com uma coisa boa que acontece -, a pessoa contem o momento e sorve a energia de alegria, e aí se diz feliz.
A felicidade não mora nela, é uma coisa que passa e ela sente. Quando a felicidade não mora no ser – ele sendo a alegria de ser – ele se transforma numa pessoa que sorve das coisas e dos outros a sensação de alegria.
A pessoa não acredita que a alegria esteja dentro dela e precisa conquistar ou receber.
A paz mora na gente desde que nascemos, e morrerá conosco, é fato.
Todo mundo possui o gene da felicidade, da paz, da irmandade, da cooperação, da igualdade, do respeito, da compreensão, da harmonia das polaridades e das diferenças.
É só acessar.
O que turva a clareza de nossas atitudes e comportamentos é o lixo emocional, físico e psíquico que destorce tudo, coloca obstáculos, filtros e condições.
Nosso amor é condicionado, é condicional.
Não queremos abandonar nossa zona de conforto, e cedemos ao destino, a escrita final de nossa existência, cedendo a uma relação falida por temer a solidão; cedendo a uma profissão qualquer para ter que sobreviver; cedendo para se sentir amado, querido e desejado; cedendo a tudo para ter uma vida de conforto e emoções previsíveis.
Vale a pena deixar de viver essa maravilha que é a vida e nos contentarmos em sermos marionetes do nosso desejo material?
Vale a pena não evoluirmos em nossa potência e consciência para nos dedicar à aquisição de uma profissão e nos transformamos basicamente nisso, uma função?
Vale a pena abrirmos mão de nossos sonhos?
Vale a pena envelhecermos e sermos uma peça com um ofício esvaziado de humanidade?
Vale a pena não se conhecer e perder a oportunidade de ser uma estrela?
Vale a pena viver plenamente até que a morte nos separe?

…rosam…

Rosam Cardoso é um amigo desde a época das descobertas na escola da Angel Vianna. Terapeuta, ator, autor e poeta.
A agenda de suas turmas está na imagem. Recomendo para todas as idades. Atreva-se! Inscrições abertas!


CorpoInConsciencia
Observe sua respiração
Articule a mente

Anúncios