Vergonha do corpo


Vergonha do corpo

Texto maravilhoso de Viviane Mose, sobre como lidamos com nosso corpo e de como nos reduzimos pela vergonha…

“…Não envelhecer, não sentir dor, não se cansar, não se aborrecer. O homem parece envergonhar-se de ser: pequeno, sensível, mortal, humano.
E organiza-se em torno de um ideal de homem, sem corpo.
O homem envergonha-se de seu corpo.
Não de seu sexo ou de seu prazer, mas de suas vísceras, de seus excrementos, de seus sons e odores, de seu processo bioquímico, fisiológico, orgânico.
O homem envergonha-se de morrer e vai acuando-se, escondendo-se, perdendo-se em torno de uma ideia, de uma imagem. Em sua luta por não ser comum, o homem tornou-se nenhum.
Todo homem virou nenhum.

Nenhum homem na rua, em casa.
Nenhum homem na cama.
Nenhum homem, mas um nome.
O homem se reduziu a um nome.
Não um nome próprio, mas um substantivo.”

Viviane Mosé – 2000.
Trecho do Artigo – “Um nenhum”, publicado no site da agência Carta Maior, na sequencia de cartas endereçadas “Ao arqueólogo do futuro”.)

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Observe sua respiração.
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