A árvore de 1300 anos


Haruno MounainOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAOLYMPUS DIGITAL CAMERAHaruno

Essa é uma montanha sagrada para a cultura japonesa. A árvore que a sacralizou fica numa altura de 800 metros acima do mar e o frio é quase impossível para suportar no inverno. Claro que os nativos da terra, estão mais acostumados. Mesmo assim existem uma série de regras para não adoecer com esse tipo de frio. Seco, muito seco.

Às 16 horas, o sol já está se pondo e é tempo de preparar o fogão de lenha e uma pequena fogueira dentro da própria casa, que tem 200 anos ou mais. Aqui é um dos lugares de retiro, e como costumo dizer, a própria alma deseja se retirar quando não está perto do fogo, especialmente a noite, que começa cedo, de forma que as 20 horas já é tempo de entrar por debaixo de 4 camadas de cobertores muito grossos (edredon), que permite o momento do sono.
A casa tem sete quartos que ainda estão sendo restaurados. E as pessoas se juntam num só cômodo bem grande perto do Fogão a lenha para conseguir dormir e meditar.

A única meditação possível aqui é a do Fogo, à noite. Durante o dia é preciso se mexer, pois ficar parado me pareceu uma ameaça.

Podemos ouvir os uivos dos lobos que ali habitam e nós, humanos, somos apenas visitantes tolerados. Não se aproximam da casa, o que me custou a absorver e relaxar com essa informação durante os primeiros dias.

Não me foi permitido levar máquina fotográfica e ainda não recebi as fotos do templo construído perto dessa árvore. Espero em breve compartilhar isso  também.

É realmente um “passeio pelo lado selvagem da vida”, pude sentir-me como uma mulher que corre com os lobos. Em japonês, está é a montanha dos lobos. Fiz de tudo para tentar me concentrar na respiração e esquecer esse fato. Somos invasores.

Conforme os dias foram passando, a respiração foi se acalmando e tive muito tempo para apreciar as reações do corpo humano dentro dessa natureza selvagem.

Poucos habitantes nessa pequena cidade na base da montanha, cinco mil segundo o nativo da mercearia onde fomos apenas duas vezes comprar mantimentos. A alimentação é simples e apenas duas vezes ao dia. O resto do tempo, temos chá à vontade, que é muito bem vindo. Alguns trouxeram doces do tipo biscoitos e um doce de feijão azuki, que caía muito bem no frio. Porém, o açúcar tem um efeito interessante. Na hora dá energia para algum tempo depois drenar o fogo interno do corpo.  Mesmo assim, não resisti algumas vezes.

Uma vez fomos levamos a um banho público das águas das fontes da própria montanha. Foi um momento de grande satisfação e consciência do quanto sou metropolitana, apesar de tudo. Uma piscina enorme de água muito quente nos aguardava e finalmente tomei um banho inesquecível. Coisas simples não são tão simples como parecem. Viver numa montanha assim requer muito equilíbrio interior, imaginação e disposição para estar sempre “botando a mão na massa”, de outro modo, pode acontecer o congelamento dessas funções.

Pela manhã, o orvalho fica congelado nas folhas e nas poças de água do chão. O corpo não quer sair da cama, embora as atividades começavam cedo, as vezes eu preferia esperar até que o sol se firmasse para colocar meu nariz para fora.

O frio extremo cansa a musculatura que se contrai o tempo todo. Meditar nessas condições é para pessoas com o fogo interno muito bem trabalhado.  Foi importante conhecer condições como essa e praticar a ativação do fogo interno.

Fiquei imaginando como seria no verão. Mas ainda não tive a oportunidade de sair do Brasil no verão. Agora já sei para onde ir, mesmo que  seja apenas para visitar.

Outra notícia que me espantou foi o  êxodo de japoneses jovens, tentando escapar da radiação que está em toda parte de Tokyo e arredores. As consciências mais despertas estão fugindo para as montanhas do leste e do sul, mudando completamente suas vidas, conscientes de que Tokyo e quem sabe o planeta está entregue às consequências da loucura que aconteceu em 11 de Março de 2011 em Fukushima e que ainda não acabou.

Os sintomas da radiação que está em todo lugar e coisas, especialmente no ar, na água e na comida. Muito difícil conviver com isso. Sublimação é a reação da maioria. Olimpíadas 2020 é o assunto do primeiro ministro fascista, que controlou a imprensa japonesa. Se quiser saber sobre o Japão, não adianta procurar aqui.
Os sintomas da radiação, além dos muitos casos de câncer, são dores musculares intensas, dor de cabeça e pele avermelhada e com prurido. A minha pele sentiu o efeito na primeira semana. As dores musculares começaram depois que cheguei das montanhas. Se eu fosse a um hospital, ninguém me diria isso. Me dariam um mio-relaxante e analgésico e me mandariam para casa. Obviamente procurei um profissional alternativo mais gabaritado.

Cheguei a Tokyo como quem chega em casa depois de um período de grande exigência corporal e mental. Vim para sentir os efeitos da radiação e me despedir dessa terra que um dia foi meu lar.

Sandra Moreira De Almeida
sandra.moreiradealmeida@corpoinconsciencia.com
Atendimento Skype: sandra.ebisawa

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