ÉDIPO – A ENCRUZILHADA


ÉDIPO – A ENCRUZILHADA

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Penso que é interessante para o leitor e para mim, mostrar minha forma de trabalhar como psicanalista fazendo psicoterapia com o psicótico, sem usar o que se pretende que o paciente faça uso na psicose – a transferência, que não nego existir na neurose, mas que no meu entender ao ser utilizada como forma de tratamento, só prolonga o processo de cura.

Colocarei no meu Blog uma parte de um Capítulo (de meu livro “O FILICÍDIO”) por vez com numeração que serão descritas depois. Desculpem mas não dá para escrever o capítulo inteiro.

ÉDIPO – A ENCRUZILHADA (1)

“Sempre que penso em Complexo de Édipo, me vem à cabeça uma relação afetiva triangular – pai, mãe, filho (a) e numa posição, no desenvolvimento emocional do bebê, que Melanie Klein denomina depressiva. Posição depressiva e fase edípica são sinônimos e que consegue resolvê-la adequadamente, cresce emocionalmente, mas, note-se bem, esta capacidade já se traz ao nascer. Explico melhor – continuo achando que muitas pessoas não chegaram sequer a beirar o que é chamado, em Psicanálise, “Complexo de Édipo”.

Nelas a maturação emocional foi bloqueada bem antes deste estágio, em nível mais primitivo, na fase esquizoparanóide. Outras não foram capazes de chegar à posição esquizoparanóride, permanecendo na posição auto erótica. Não conseguiram da o salto “qualitativo” de que fala Freud, que é a resolução das emoções a nível mental, através do uso do narcisismo auto erótico e da consequente formação do ego. O ego então se forma a partir de uma nova força, o Narcisismo, que, segundo Freud, se agrega ao autoerotismo e que faz com que o bebê passe a resolver seus problemas a nível mental, não deixando de ser auto erótico, até poder ser resolvido a nível de patologia ou saúde.

O narcisismo então é o salto qualitativo do instinto de vida que passa do corpo para a mente, possivelmente estimulado pela força da libido auto erótica. As pessoas normais fizeram este salto qualitativo naturalmente e se desenvolveram bem. Há crianças que param seu desenvolvimento na primeira posição mental que é o que M. Klein chama de posição esquizoparanóide.

Outros bebês não conseguem dar o salto qualitativo, em grande parte de sua libido e se tornam doentes psicossomáticos. Não conseguem alucinar ou delirar, e atacam diretamente o próprio corpo. Assim como o esquizofrênico ataca a mente desfazendo seu ego, um paciente, por exemplo, com colite ulcerativa, ataca seu intestino. Ambos podem se suicidar ou morrer, a partir desses ataques internos, devido ao narcisismo auto erótico não resolvido.

O paciente toxicômano e o hipocondríaco tem o mesmo mecanismo do paciente psicossomático. Sua libido permanece em grande parte auto erótica. Por isso são de tão difícil tratamento, apesar de uma grande parte de sua personalidade permanecer “normal”. Pode ser que esta seja minha maneira de explicar a formação do ego.

É que, trabalhando com pacientes internados que são instinto auto erótico puro e simples, pude constatar a fragmentação a que alguns chegaram. Pode-se até dizer que não lhes restou nenhum resquício de ego. São pacientes, ditos esquizofrênicos, mas que na verdade só o serão quando puderem melhorar. Ser esquizofrênico significa ter ego, que é formado a partir do impulso interno auto erótico, ao dar de encontro com a realidade.

Ás vezes até o inconsciente do paciente foi em parte destruído e tem de ser refeito. Na verdade o narcisismo é auto erótico, como o paciente é todo impulso e autoerotismo. Deixo bem claro que considero, (teoricamente certo ou errado), como auto erótica, qualquer manifestação afetiva que tenha o paciente contra ou a favor de si mesmo e/ou dos outros, neste estágio primitivo que falo.

A respeito do ego, sua formação e desagregação, refiro-me principalmente às pessoas de personalidade psicótica (2) e às que sofrem de doença psicótica de qualquer tipo. Na verdade, observando-se bem o doente psicótico, chama-nos a atenção o fato de que o pai não está presente, nem o relato da estória clínica.

Numa anamnese bem feita, só aparece o pai, como figura significativa, em estórias de pacientes neuróticos e/ou de pacientes psicóticos extremamente doentes, em que o pai assumiu o papel de mãe, na falta ou absoluta impossibilidade desta.

Mas é bom lembrar que neste caso o pai não é pai e sim “mãe”, ou talvez nem uma coisa nem outra, ao contrário da história do neurótico em que o pai representa a função de pai, sempre. O doente neurótico ou a pessoa de personalidade neurótica consegue chegar ao Complexo de Édipo e resolve-lo tornando-se sadio, ou não supera-lo apresentando, então, uma doença neurótica.

“Fantasias edípicas” (3), em pacientes psicóticos, existem só aparentemente. É comum em esquizofrênicos, uma situação em que dizem que querem ter relações sexuais com a mãe. Só que, neste caso, não se trata da mulher de seu pai, mas apenas de uma mulher, despojada de sua “função” de mãe do filho e esposa do pai. (4). No neurótico, o incesto ocorre a nível da fantasia. Se acontecer com o psicótico, o fato ocorre na realidade mesmo, numa ruptura psicótica, tanto no filho como na mãe.

O Mito de Édipo, transcrito abaixo, pode ser interpretado de modo diferente, se olharmos à luz dos conhecimentos sobre psicose.

Postado por Carmem Dametto, julho 01, 2007
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