Diário de um terapeuta psicótico


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Foi pela dor que me aproximei de mim mesmo.

Foi por causa das faltas de ar que fui obrigado a seguir a trilha da cura.
Quando eu era criança nunca me imaginei assim no futuro.
Queria ser pilot de avião e viajar o mundo todo.

Um ser que, com, sem e apesar da própria dor, cuida da dor de outro ser. Esse sou Eu.
Daqueles que aparecem com esperança de que talvez eu (pobre de mim), possa fazer alguma coisa para “ajudá-los”. Se acreditasse nisso seria o cúmulo da arrogância.
A esperança é o que cura.
Jamais poderia me aproximar de um ser prometendo cura, a menos que ela já venha com ele, posso apenas caminhar ao seu lado no processo.
Mas sei que quando a esperança reacende no coração, o corpo, as emoções e pensamentos reagem muito bem a isso.

Também sei que quando uma técnica aplicada funciona no outro, é como um sopro na brasa da esperança de quem aplica.

Jamais imaginei que fosse passar dos 40 anos, tamanha eram as dores físicas e emocionais que suportei, enquanto vivia, respirava e trabalhava.

As técnicas que fui aprendendo ao longo desse meu caminho, foram meus ganchos na escalada para um patamar mais elevado da minha existência.
Como a adaptação ao corpo e ao mundo sempre foram muito difíceis, fui obrigado a praticar com a finalidade de sobreviver mais uma semana, mais um dia, mais uma hora, mais um minuto…

E se estou escrevendo isso, significa que ainda estou no caminho.
Que ainda não gosto de ver sofrimento.
Que ainda atravesso longas horas e ainda sinto esperança em meu coração.
Mesmo sendo assim, com alma e corpo machucados, muitas vezes sem poder sair pra comprar pão, mesmo assim, eu tenho uma serventia nesse mundo que desconheço, para essa humanidade que  é interseção em mim.

Vou preparar meu melhor prazer agora. Vou escolher músicas e ritmos. Articulações e movimentos. Eu vou trabalhar. Tchau!

Saharo Kaiku

 

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