O prazer do contato


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Nascemos e crescemos sendo acariciados e beijados. Até “certa” idade é quase impossível não querer ver aquele sorriso deslumbrante de prazer legítimo. Um dia nosso corpo foi flexível e receptivo ao contato humano.

Conforme o tempo passa o “prazer” se localiza nos genitais e por estar numa explosão hormonal, evita o contato tão desejado ou, ao contrário, transforma-se num “caçador” de contato, não importando tanto o objeto, mas sim, a premência do desejo imposto ao corpo.

Na idade adulta, o contato físico se restringe ao momento do sexo, no quarto, na cama, a sós…

As mulheres com seu complexo aparato sexual e reprodutor, tenta adaptar-se ao modelo masculinista de viver. O prazer no mundo moderno está veiculado ao mundo exterior, “fora de si”.

O mundo da propagando mudou seu paradigma de venda. Aos invés de vender durabilidade, vende-se desejos. Desejo de fumar, de comer, de beber, de usar uma certa roupa, comprar aquele carro, aquele batom da Mac, etc…

São todos substitutos do prazer gerado pelo contato físico com outro ser vivo. Veja bem, nem precisa ser um ser humano. Os neuro-cientistas já observaram a quantidade do hormônio do amor que é liberada quando se acaricia um animal de estimação.

No Japão, os gatos e cachorros são melhor tratados que os seres humanos. Pode acreditar. Coincidentemente, o contato físico no Japão não é um hábito cultural. Reserva-se o contato apenas para intimidade, sendo que ser casado e ter amante é no mínimo, comum nessa cultura e contanto que não venha a público, é um comportamento bem tolerado pela sociedade, tanto quanto o alcoolismo, que afeta a maioria dos trabalhadores de todos os níveis sociais. Não se sobrevive bem sem contato físico de qualidade.

Veja bem, não serve qualquer contato físico para que o efeito curativo surja.
Existe um movimento internacional chamado “Free Hug”, jovens de todas as idades ficam nos parques oferecendo abraços.  Isso é um sintoma, um grito social apontando para nossa necessidade básica de afeto e prazer físico.

Há um outro movimento mais tímido, porém não menor potente, vinda da Tailândia e cujas origens se perdem na história do sagrado feminino de várias culturas; o pompoarismo foi apresentado ao mundo ocidental através do filme de 1974, Emanuelle, onde aparecia uma cena de uma mulher sugando a parindo um ovo com sua vagina poderosa. Essa é uma característica antiga das Mulheres sagradas que conheciam o poder curativo do prazer e desfrutavam do empoderamento pleno de seu prazer físico, podendo mesmo ter orgasmos comendo uma fruta.
De qualquer maneira, o pompoarismo hoje é bem mais popular que na década de 70/80.

No entanto, a qualidade de saúde global da Mulher em nossa sociedade não melhorou; pode até ter alongado sua vida. Mas com que qualidade?

Supondo que qualquer desarmonia no corpo é resultado de uma desarmonia no campo sutil dos pensamentos e emoções. Posso deduzir que, o que vou chamar de “o afeto físico que induz ao orgasmo” pode ser uma via para a rearmonização corporal e mental.

Conhecer em detalhes sua fisiologia do prazer físico, requer prática e percepção do aprendizado. No caso das mulheres que praticam o pompoarismo, há o despertar da auto-estima e o movimento evolutivo do auto-conhecimento. Uma mulher que se empodera das possibilidades de seu corpo ter prazer, pode mais e muda a perspectivas de todos os relacionamentos humanos. Não mais será guiada pela carência, mas pela plenitude de Ser quem é.

Yasmin de Deus

 

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